O pensamento por si só é capaz de estruturar um emaranhado
cristalino de palavras e cadeias complexas de idéias como a do regaço de uma cachoeira pura e virginal banhado pelo fino brilho místico do luar, porém, nunca é capaz de ter
parte nessa cena se não abraça a fé de sua certeza. O homem que não reconhece
que o pensamento por si só nunca é o bastante é como um mágico que perdeu de si
todo encantamento que fazia com que todos ficassem maravilhados de si.
Não aceitar o incognoscível é cegar para o caráter mutável
da vida. O mundo é dinâmico e escorregadio como uma pista de gelo, as coisas
estão constantemente se transformando em seus opostos. E nem é preciso ir tão
longe para ver isso, vejamos a nos mesmos em nossos espelhos e nos deparemos
com a transformação.
Uma natureza estaticamente perfeita é o desejo de um
pensamento ingenuamente deturpado. É como um pirulito que nos é negado por um Hércules
qualquer de quem não temos poder para lhe tomar a força. Só alguém muito sem
noção vai sequer perder algum tempo planejando algum modo de tirar o mistério
do mundo.
Somos a cada momento
aquilo que nós fazemos dele. Seja como crentes ou lunáticos, descrentes ou
espirituosos. Somos o modo pelo qual nos manifestamos nesse mundo, seja com
mistério ou sem graça nem valor,
e, se quisermos
extrair seu néctar mais doce, precisamos aceitar as abelhas e o seu milagre
aerodinâmico.
Se quisermos viver, precisamos aceitar que a poesia é parte
constitutiva da vida, a despeito de toda lógica que nos impede de entrar de
cabeça nos regaços mais límpidos e profundos de nossos pensamentos.
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